Como é o Desenvolvimento da Personalidade das crianças? Até que idade ela se forma? Explique passo a passo;
A personalidade da criança se forma do material genético que ela herda dos pais e antecedentes mais o material do meio ambiente em que ela esta inserida.Temos vários estudos sobre a influência dos sentimentos e comportamentos maternos em relação ao feto, portanto considero aqui de muita importância o que chamo de “meio ambiente interno gestacional”, ou seja os nove meses em que o feto esta se desenvolvendo no útero. Isto porque, ele recebe da mãe as influências de tudo o que ela vive. Por exemplo Se o batimento cardíaco da mãe esta acelerado, o do feto também estará. Se a mãe esta em depressão, sua tristeza também afetará. Se a mãe de alimenta de muitos doces, o feto receberá sua alimentação via cordão umbilical,muito doce, desenvolvendo assim seu paladar com tendências para gostar de comer coisas doces. E se pensarmos que este bebê será inserido no meio ambiente “externo” e que neste ambiente existe: estresse, depressão, e alimentação inadequada, teremos um bebê com uma grande possibilidade de desenvolver os mesmos quadros de problemas de saúde. ( doenças físicas e/ou psicológicas)
A genética costuma responder por 50% de possibilidade do vir a “ser ou a ter” problemas hereditários da família e não como certeza do que será. Os outros 50% por cento, responderá o meio ambiente, pois potencializará ou não a carga genética.. (exceto alguns tipos de doença, onde a participação genética é 100%, tais como:casos de deficiência mental, como por exemplo, a Síndrome de Down, entre outras.)
Pensemos em um exemplo de como a genética poderá vir a se desenvolver:
Uma criança com um pai que sofre de diabetes e que não faz dieta de doces e também é um alcoólatra agressivo. Uma mãe hipertensa, mas que continua usando sal em excesso, fumante e ainda por cima sofre de uma depressão crônica. Avós com problema de esquizofrenia e suicídio na família.
Se pensarmos na gestação deste feto, ele traz junto consigo esta carga hereditária e provavelmente nos nove meses gestacionais ele tenha recebido as influências do ambiente externo, entre elas a depressão da mãe, a falta de oxigenação via cordão umbilical, pelo cigarro da mãe, etc...
A genética se completará, no convívio direto com esses pais, se os mesmos não compreenderem que devem mudar os hábitos e comportamentos até então praticados. Neste caso, requer uma mudança de alimentação, evitando o sal, açúcar,
agressividade ,depressão, e quem sabe ainda uma esquizofrenia, com a finalidade de não permitir que a genética se complete e seja o destino fatal!
O ambiente onde a “criança se desenvolve é que vai” formar e moldar’ a personalidade, para o bem ou para o mal. Portanto os seus primeiros educadores , que na sua maioria são os pais, precisam oferecer um ambiente de amor, compreensão e respeito aliado a conhecimento cientifico, o mínimo necessário, para procurar ajuda, como nos casos em que a criança começa a apresentar comportamentos inadequados tais como birra, agressividade contra si ou contra o outro, etc...
Aqui surge um grande problema quando a família não esta disposta a modificar, pois
a criança aprenderá tudo através do comportamento imitativo...
Os teóricos variam muito quanto à idade que a criança “forma” sua personalidade. A média dos teóricos variam dos 6 meses a 3 anos. Na verdade é a “base estrutural” que se forma através dos valores dos pais e não a personalidade como um todo. A personalidade só termina de se desenvolver e se auto-realizar com a morte!
Como funciona o desenvolvimento emocional de uma criança?
Diferentemente da formação da personalidade, pois esta é mais rígida e fixa , o desenvolvimento emocional é mais dinâmico. No meu entender eles caminham juntos, porém podemos compreender desenvolvimento emocional como a “vestimenta ou capa” da personalidade, pois é através das emoções que a criança se expressa e que podemos observar e valutar o seu comportamento.. O desenvolvimento emocional são as emoções atuando (amor,raiva, medo, tristeza,felicidade ) e como ela se interage com as características da personalidade. As emoções são provocadas pelo meio ambiente, ou seja, dependendo daquilo que é oferecido ao bebê.
O bebê inicia seu “Eu”, através das emoções da mãe, ou a pessoa que fizer o papel materno. Nos seis primeiros meses ,ele absorve tudo da mãe, tal como uma esponja que absorve a água. Mãe triste, bebê triste....mãe tensa, bebê tenso... mãe agressiva, bebê agressivo...mãe que não cuida da alimentação, bebê com deficiências vitamínicas...etc...
Com o passam do tempo, o bebê vai desenvolvendo a sua independência tanto física como psíquica,vai dando espaço para que tenha sentimentos diversos do da mãe.
Uma criança saudável emocionalmente terá mais disponibilidade para brincar, correr , se alimentar, ou seja de viver! Aquela criança que esta sempre triste, com medo de abandono (insegurança afetiva) retarda seu desenvolvimento físico e motor, pois não consegue explorar o ambiente, a fim controlar o comportamento da mãe, para ver se esta não “foge ou esta com muita raiva a ponto de morrer ou matar....e também, infelizmente muitas crianças sofrem por antecipação caso suas mães tenham problemas graves de saúde,temem que a doença lhes tire a mãe , criando assim uma “paralisia” no seu desenvolvimento emocional para ser feliz e se divertir.
Como contribuir para as crianças terem mais qualidade emocional e assim serem mais felizes?
No meu entender e pelo trabalho que desenvolvo na minha escola psicológica,
trabalhamos de forma preventiva, através de cursos para pais e educadores(professores de educação infantil) a fim de prepará-los para lidar com o universo infantil, uma vez que é através dos valores e sentimentos que é demonstrado á eles na infância, que vamos podemos oferecer estrutura física e emocional para o adolescente que esta por vir...
A melhor forma de contribuir é amar e demonstrar o amor que se tem pela criança. Isto fará dela um adulto com auto-estima elevada e equilibrado. Porém, amar, não significa não colocar limites, ou deixar de repreendê-la quando a criança estiver errada. Pelo contrário, limites bem colocados dão segurança e reforçam que a criança esta sendo amada e cuidada. Criticas, somente o necessário e em relação a atitude que não foi adequada, , jamais uma critica generalizada. Por exemplo: Você não fez as atividades com capricho. Dá próxima vez procure fazer com mais dedicação.
Um outro exemplo: Você não vai poder comer esse chocolate agora que deve almoçar. Poderá comê-lo depois do almoço.
Estes tipos de observações, não detonam a auto-imagem da criança, isto é: educar com amor. Se a mãe ama esta criança, não permitirá que ela descuide de sua saúde, pois sabe que o resultado final será: não ter boa saúde para enfrentar a adolescência e quem sabe a vida adulta.!
Infelizmente eu ainda escuto frases do tipo: “Você é um burro! Se generalizamos a situação, a própria criança não se gostará e isto tem conseqüências gravíssimas para a sua auto-estima. Ela tende a ser ou se fazer vê, como os pais a vêem. Sabemos quanto a auto-estima é determinante na fase da adolescência e vida adulta, para que possa ter coragem de enfrentar situações competitivas da vida. Se ela não se gostar, sentirá que é o próprio fracasso, antes mesmo de tentar...
Que cuidados são fundamentais para não ocorrer choques que possam levar a depressão infantil? Ou/ e a formação de um individuo com sérios problemas emocionais?
Considerando que foi respondido na pergunta anterior, em primeiro lugar é :Amar seu filho , mas se pensarmos em uma mãe que sofre de depressão crônica, e seu bebê não lhe trouxe alegria para viver, é preciso que outras pessoas amem e demonstrem amor por essa criança. (isto não quer dizer que o amor de outras pessoas, parentes, avós etc..possam substituir o amor materno), mas ajudam a criança a se amar e lutar pela vida.
Infelizmente depressão e /ou problemas emocionais na infância tem sua marca registrada no: Abandono afetivo. (isto quer dizer: que faltou preocupação, cuidados,e talves amor) Por exemplo, uma criança que perde seu pai, entra em depressão, como todo adulto,porém manifesta de formas diferentes,muitas vezes através da agressividade. Perder o pai, neste caso, pode ser também entendido como abandono afetivo, uma vez que ele não esta mais lá para nutri-la.
Quando a criança é criada rodeada de amor e limite, dificilmente dará problemas. ( exceto aquelas em que a genética se potencializou com maior intensidade e/ou algum trauma adquirido, por exemplo: hospitalização da mãe (pode ser entendido pela criança, como abandono).
Normalmente emprego a palavra “mãe”, mas considero que a criança esta inserida dentro de uma família, com pai, irmãos, tios, avós que muitas vezes moram juntos com a criança, incluindo babás, e estes também influenciam o comportamento do bebê na formação e desenvolvimento emocional, portanto ,tendo um peso agravante para o bem ou mal....
Como os professores e o ambiente escolar podem ajudar nessa formação?
Se considerarmos que esse bebê foi para a escola-berçario com 4 meses e lá permanece 10 a 12 horas por dia, o professor deverá ter uma personalidade com auto-estima elevada, para poder: elogiar, cuidar e dar “colo” a este bebê. Seu amor por crianças deve estar acima do egoísmo e da competição, pois deverá dar amor incondicional,sem a posse e /ou confusão de que este bebê é seu.
Os professores são profissionais, e tal, como qualquer outra profissão é preciso estar se atualizando e se capacitando,através de cursos, especialmente sobre a psicologia infantil, para que possa melhorar a qualidade de vida das crianças.
Professores amorosos, que amam estar desenvolvendo uma criança, da dependência total, para a independência, sem pressa...sem atropelos... sem comparações....respeitando o ritmo de cada criança, podem proporcionar a esta, uma sensação de segurança e amor.
O berçário escolar é como uma extensão do “útero materno” deve acima de tudo proteger dos perigos que possam ameaçar a criança, sejam eles físicos ou emocionais.
É possível ajudar os bebês e crianças, através de vários tipos de atividades a serem aplicadas pelos professores com o intuito de ajudar a criança a expressar seus sentimentos. Lembrando que uma criança que não brinca, não se expressa, conseqüentemente esta impossibilitada para elaborar suas dores e seus prazeres, através dos jogos e das brincadeiras.
Como lidar com o Universo Emocional da Primeira Infância?
Primeiramente com muito amor ao mundo infantil, seguido de muita habilidade e competência, pois, trabalhar e atuar na infância, é preciso ter muita tranqüilidade para suportar as frustrações que as crianças podem dar, por não ser ou funcionar como haviam planejado. O universo infantil para quem o ama, pode ser comparado com o “paraíso”, pois o educador(professores ou pais) tem a oportunidade de ver seus frutos desabrochando. O prazer e a felicidade são obtidos através da contemplação de saber que aquela “obra” é sua....
Qual o papel dos pais nessa formação?
Os pais são os primeiros educadores, as crianças vão imitá-los, pois eles são o primeiro modelo de aprendizagem que a criança se espelhará..esperamos que sejam pessoas de bons valores e amorosas, pois a falta destes, pode comprometer maciça mente o futuro.
Como deve ser o convívio com outras crianças?
Se a criança esta sendo educada com amor,bons princípio , não ocorrerão grandes problemas de comportamento, porque se a criança é respeitada pelos seus genitores, automaticamente respeitara seus colegas. O que é muito difícil para a criança(até para muitos adultos)é aprender a lidar com o ciúme, porque quando a relação dual passa para ser um triangulo amoroso, é preciso ensiná-la a dividir o afeto e ao mesmo tempo fazer com que a criança não se sinta rejeitada ou excluída, pois o ciúme envolve o medo da perda da pessoa amada.
A agressividade, o nervosismo podem ser desenvolvidos com mais facilidade em crianças cuja a gravidez da mãe foi muito tensa?
A principio podemos dizer que sim,mas é preciso uma investigação mais profunda para saber a carga genética de seus antecedentes e qual é o tipo de agressividade
e nervosismo que a mãe passou. É preciso saber se depois da gestação conturbada, o meio ambiente oferece tranqüilidade, e saber se isto só ocorreu na gestação ou continua.
O que mais importa é saber se este filho era desejado e esta sendo amado, pois isto
minimiza muito o que foi vivido na gestação.
Como lidar no ambiente escolar com as diferentes personalidades infantis?
Compreendendo que a personalidade de cada um é única, mesmo se forem gêmeos idênticos, pois são idênticos somente na forma física e não na forma psicológica.
É preciso ter um olhar diferenciado para cada criança, pois cada uma delas interpreta o mundo, conforme suas experiências e sensibilidade.
Até três anos, quais as fases do desenvolvimento emocional uma criança passa e o que vai mudando em cada período?
A criança de 0 a 3 anos passa pela formação do seu “Eu” , Isto envolve conhecer o mundo através da lente dos pais. Quando começa a andar é o sinal do início de uma independência relativa. Ela precisa confiar que pode explorar o mundo e nenhum perigo a ataque,. “Ela acima de tudo deve ter uma “mãe suficientemente boa”, expressão esta de Winnicot” que diz:: uma mãe suficientemente boa, não é uma doutora intelectualizada ...mas sim uma pessoa comum, capaz de amar e nutrir seu bebê pois vive em sintonia com suas necessidades.
É importante saber que até os 3 anos, a criança construiu seus alicerces,onde sua “casa psicológica” não poderá desabar lá na frente... pois isto comprometerá sua vida de adolescente e sua vida adulta. Estes alicerces devem estar bem fundamentados para que possa sentir-se segura e amada, pois a partir desta idade repetirá muitas das suas experiências vividas e aprendidas durante este período....esperamos que tenha vivido as melhores!!!
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Diretora e Consultora Psicológica na Educação das Crianças. - Formada pela Universidade Católica de Santos. Psicóloga há mais de 15 anos, especialista em Desenvolvimento Emocional da Criança e do adolescente.Orientadora de Pais e Educadores. É professora de Pós- Graduação do curso de Psicopedagogia e do Normal Superior da FACULDADE SANTA MARINA e Professora convidada da UNIFESP - Departamento de Pediatria - no curso de Lato-Senso em Saúde, Nutrição e Desenvolvimento Bio-Psico-Emocional aplicados à pratica Pedagógica. Escritora,conferencista em vários congressos,entre eles: Congresso de Educação -SABER , palestrante há mais de 12 anos do SIEEESP ,AESP, AMEESP, e de escolas particulares e prefeituras . Possui várias matérias de sua autoria, publicadas em vários portais da internet, revistas e jornais , entre eles: Supernanny, Revista Educação, Folha de São Paulo e outros. Tem sido entrevistada por diversas emissoras de Rádio e Televisão, tais como: TV Mulher, TV Cultura, TV Rede Vida, TV SESC/SENAI ,TV Record .TV BAND, REDE TV e REDE GLOBO.
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