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Agência Brasil
Paula Laboissière Repórter da Agência Brasil
Brasília - No primeiro dia de debates da Conferência Nacional de Educação (Conae), especialistas defenderam hoje (29) a criação de um sistema de educação articulado que integre a União, os estados e os municípios – uma espécie de Sistema Único de Saúde (SUS) para a educação. A ideia é superar os entraves existentes por conta da autonomia federativa.
A professora da Universidade de Brasília (UnB) e membro do Conselho Nacional de Educação, Regina Vinhais, avaliou o exemplo da rede pública de saúde como positivo. Ela destacou, no entanto, que os recursos públicos precisam ser destinados “apenas e exclusivamente” para a rede pública de ensino – o que não ocorre no SUS, já que parte dos recursos vai para serviços privados.
“A educação no Brasil é um direito social pela Constituição Federal e um direito humano pela Declaração Universal dos Direitos Humanos”, disse. “O Poder Público não garantiu esse direito para todos, optando por não institucionalizar o sistema de educação”, completou, ao ressaltar que a história educacional no país é marcada pela exclusão, pelo alto índice de analfabetismo, pela pouca escolaridade e pelo frágil desempenho dos alunos.
Para o professor emérito da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Demerval Saviani, a educação não deve ser vista como tarefa de governo, mas de Estado. Segundo ele, é preciso reverter a tendência de “diluir” responsabilidades educativas do Poder Público, transferindo-as para a filantropia e para o voluntariado.
“Cabe ao governo repensar a estrutura do plano, enxugando o texto e reduzindo o número de metas a aspectos mais significativos, e cobrar o efetivo cumprimento das metas”, disse. Saviani propôs ainda a criação de um Fórum Nacional de Educação, que se reúna a cada dois ou três anos e que tenha como objetivo acompanhar o andamento das metas previstas no Plano Nacional de Educação (PNE).
A Conae reúne até a próxima quinta-feira (1º), em Brasília, cerca de 3 mil pessoas, entre gestores, representantes de movimentos sociais, acadêmicos e profissionais da educação. A principal missão do encontro é traçar as diretrizes para o próximo PNE, que vai vigorar de 2011 a 2020 e deve orientar os investimentos em educação e as prioridades do país na área.
Amanda Cieglinski Repórter da Agência Brasil
Brasília – Formado por metas de acesso e qualidade, o Plano Nacional de Educação (PNE) estabeleceu 295 objetivos para nortear o planejamento da educação no Brasil, da creche à pós-graduação, até 2010. Mas às vésperas de chegar ao fim, muito deixou de ser cumprido. É o que avaliam os especialistas entrevistados pela Agência Brasil. O próximo PNE começa a nascer na Conferência Nacional de Educação (Conae), que será realizado em Brasília a partir de amanhã (28), quando serão traçadas as diretrizes do novo plano que irá vigorar de 2011 a 2020.
O professor Jamil Cury, que participou da elaboração do plano à época, classifica o resultado como “um fracasso”. Para ele, um dos principais motivos para que boa parte das metas não fosse cumprida foi a falta de previsão orçamentária no próprio PNE para sustentar as ações previstas.
Um dos itens previstos no plano, mas que foi vetado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, era que o país conseguisse elevar para 7% até o fim da década o investimento público em educação. “Com isto, nós ficamos com um plano bastante interessante do ponto de vista da radiografia, do diagnóstico, das diretrizes e das metas. Só que ele ficou sem os recursos necessários para tal”, aponta Cury.
O conselheiro nacional de Educação, Mozart Neves Ramos, também aponta a falta de previsão de recursos como um dos nós do plano em vigência. “Você não lança ações para mudar a educação sem saber quanto elas custam. Tornou-se um plano sem compromisso entre gestores, foram lançadas 295 metas sem quantificar quanto será necessário para realizar aquela ação. Talvez isso reflita o baixo índice de atendimento das metas”, avalia Mozart, que também é presidente do Movimento Todos pela Educação.
Para ele, o excesso de metas incluídas no plano – muitas sem possibilidade de aferição de cumprimento – também dificultou o acompanhamento pela sociedade. Ele aponta que o plano não inclui mecanismos de acompanhamento e avaliação permanentes. “Às vésperas do novo plano é que a sociedade está despertando. Poucos educadores e gestores trouxeram isso para um acompanhamento anual ou bienal. Você não viu o ministério fazer um balanço do PNE. Ele não foi um plano que mobilizou”, disse.
O Ministério da Educação (MEC) aguarda a atualização dos dados relativos ao acesso à educação, que são divulgados anualmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), para analisar o que foi ou não cumprido no atual plano.
O PNE também previa que estados e municípios elaborassem seus próprios planos, com base nas diretrizes nacionais. Mas, segundo Cury, houve poucos avanços nas outras esferas. “Além da falta de recursos financeiros, faltou planejamento. Apenas sete estados fizeram seus planos e muitos municípios também não fizeram. Com a falta desses dois recursos, o PNE ficou um 'queijo suíço', cheio de buracos e furos”, avalia.
Conheça algumas metas do PNE e os resultados atingidos pelo Brasil
Analfabetismo: meta não cumprida
O PNE determinava que o analfabetismo deveria ser erradicado até 2010. O Brasil ainda tem 14 milhões de pessoas que não sabem ler e escrever, cerca de 10% da população acima de 15 anos.
Creche e pré-escola: meta cumprida parcialmente
De acordo com o plano, 30% das crianças de zero até 3 anos de idade deveriam estar matriculadas em creches. Mas segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), a taxa de atendimento está em 18%. Já na pré-escola (entre 4 e 5 anos), a meta foi atingida. O MEC prevê que até o fim de 2010 o atendimento chegará a 80%, exatamente o que estava previsto no plano. Até 2008 a taxa era de 73%.
Ensino fundamental: meta cumprida
Segundo dados da última Pnad, 97,9% das crianças entre 7 e 14 anos estão na escola. O número, muito perto de 100%, atinge a meta de universalização do ensino fundamental. O plano também previa que a etapa fosse ampliada para nove anos, com início aos 6 anos, mudanças que está sendo consolidada pelas redes em 2010.
Ensino superior: meta não cumprida
Até o final da década, a meta era ter 30% da população de 18 a 24 anos inseridos no ensino superior. De acordo com dados da Pnad de 2008, o percentual ainda está abaixo de 15%.
Daniel Mello Repórter da Agência Brasil
São Paulo - Acabou em confronto com a polícia a manifestação que os professores do estado de São Paulo, em greve há três semanas, realizaram hoje (26) na região do Estádio do Morumbi. O intuito dos professores era fazer o protesto em frente ao Palácio dos Bandeirantes, sede do governo estadual, mas a Polícia Militar cercou o local e impediu a aproximação dos docentes.
A confusão teve início quando um grupo tentou furar o bloqueio policial. A Polícia Militar usou balas de borracha e gás de pimenta para conter os grevistas. Alguns professores atiraram pedras contra os policiais. Segundo a Polícia Militar, nove policiais e dez manifestantes ficaram feridos. Um participantes do protesto foi preso.
Antes dos atritos com a polícia, um grupo de professores conseguiu entrar no palácio e foi recebido por representantes da Casa Civil. De acordo com os docentes, a posição do governo é negociar apenas com o fim da paralisação. Uma assembleia realizada no dia de hoje, entretanto, já havia decidido pela continuidade da greve.
A manifestação reuniu, segundo cálculos da Polícia Militar, 5 mil professores. O Sindicato dos Professores do Estado de São Paulo (Apeoesp) estimou a presença de 20 mil pessoas.
Os professores de São Paulo estão em greve há três semanas. Entre as reivindicações estão o reajuste salarial de 34%, a incorporação de gratificações ao salário e a realização de concurso público para contratação de professores.
Amanda Cieglinski Repórter da Agência Brasil
Brasília - O ministro da Educação, Fernando Haddad, disse hoje (24) depois de reunião na Casa Civil que o cronograma de atendimento do programa Banda Larga nas Escolas está sendo cumprido. Segundo ele, atualmente 45 mil escolas públicas já estão com esse tipo de conexão. Participaram do encontro a secretária executiva da Casa Civil, Erenice Guerra, representantes da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), das empresas de telecomunicação e dos ministério das Comunicações e do Planejamento.
A previsão inicial era atender 55 mil escolas até o final de 2010, mas, de acordo com o ministro, mais 8 mil escolas foram incluídas na conta. “A partir do censo escolar de 2009, 8 mil escolas mudaram de classificação, foram informadas como escolas urbanas e não rurais. As teles se comprometeram a atender também essas escolas até o fim de 2010”, explicou. Com isso, a expectativa é que o total de escolas atendidas pelo programa até o fim do ano chegue a 64 mil.
De acordo com o ministro, ainda está sendo discutida a implantação da banda larga nas escolas rurais, que respondem por 15% das matrículas da educação básica. Metade delas, segundo Haddad, deverão ser atendidas pelo programa Gesac - programa do Ministério das Comunicações que atende comunidades distantes onde a banda larga não chega - até o final de 2010.
Haddad apontou que há um problema localizado em São Paulo onde algumas escolas já estavam conectadas por programas do estado, mas podem receber uma rede adicional para uso dos laboratórios. “É uma decisão que cabe ao governo do estado tomar porque as escolas já estavam conectadas”, explicou.
É necessária autorização do governo de São Paulo para que as empresas de telecomunicação possam instalar as redes. O programa previa ainda, após a instalação da conexão em todas as escolas, a ampliação da capacidade de tráfego de 1 megabyte (MB) para 2 MB. De acordo com Haddad, essa meta está sendo antecipada e cerca de 3 mil escolas já estão com a conexão ampliada.
Lisiane Wandscheer Repórter da Agência Brasil
Brasília - O 5º Prêmio Vivaleitura, a maior premiação individual de fomento à leitura no país, foi lançado hoje (22) no Ministério da Cultura. Entre 2006 e 2009, 8,5 mil projetos foram inscritos e houve um investimento de R$ 360 mil. De acordo com o diretor de Livro e Leitura do Ministério da Cultura, Fabiano Santos, o prêmio faz o reconhecimento de iniciativas que estimulam o acesso à leitura no país.
“O Vivaleitura mostra que em todo o país, seja nas comunidades do Rio São Francisco, do Amazonas, do Nordeste, do Sul e do Centro-Oeste, há pessoas trabalhando para que o livro faça parte do cotidiano de crianças, jovens e adultos”, destaca.
Segundo Santos, os projetos apresentados, muitas vezes, servem de modelo para multiplicar outras iniciativas como é o caso do projeto Pontos de Leitura. Em 2008, foram criados 514 pontos, em 2009 e 2010, 718. O investimento total foi de R$ 7 milhões.
A diretora da Organização dos Estados Ibero-Americanos para a Educação Ciência e Cultura (OEI), Ivana Siqueira, relata que o prêmio foi criado para durar dez anos e que na quinta edição o objetivo já está sendo alcançado. “Nossa ideia é que as experiências sejam conhecidas e estimulem novas iniciativas. O brasileiro lê em média um livro por ano. Precisamos estimular novos leitores”, salienta.
O Vivaleitura já premiou projetos criativos em grandes cidades brasileiras e no interior do país. No projeto Jegue-Livro, uma professora leva livros no lombo de um jegue a comunidades rurais, no interior do Maranhão. Já no Clube de Leitura, no município de Pirapora, Minas Gerais, um pescador criou, ao lado de sua barraca de peixe, uma banca na qual faz o empréstimo gratuito de livros.
A professora Dinorá Couto Cançado, uma das finalistas do prêmio em 2007 com o projeto Luz e Autor em Braile (uma biblioteca voltada a deficientes visuais, em Taguatinga, Distrito Federal) disse que a participação no prêmio deu visibilidade ao seu trabalho.
“Me sinto premiada tanto quanto o primeiro lugar. A visibilidade que o trabalho alcançou com o prêmio não tem como segurá-lo mais. O número de frequentadores da biblioteca aumentou muito”, afirma.
O Vivaleitura é uma parceira da Organização dos Estados Ibero-Americanos para a Educação (OEI) e dos ministérios da Cultura e da Educação. O projeto é patrocinado pela Fundação Santilhana.
Os interessados em participar podem fazer a inscrição até o dia 5 de julho no site http://www.premiovivaleitura.org.br/
Brasília - Em Fortaleza, capital do estado do Ceará, cerca de 50 crianças com deficiência visual são alfabetizadas com ajuda da tecnologia. Essa interação é feita com a ajuda do sistema Dosvox, um sistema que usa o som e permite as crianças interagir com o computador. As aulas são realizadas no Instituto Hélio Góes, da Sociedade de Assistência aos Cegos (Sac).
O Dosvox é um aplicativo criado pelo Núcleo de Computação Eletrônica (Nce) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) que “conversa” com o deficiente visual em português. Desde 1993, vários programas foram desenvolvidos e hoje já é possível que o deficiente visual mande email, jogue, edite e escreva textos, use a calculadora e a agenda telefônica.
Segundo o criador e coordenador do projeto Dosvox, o professor Antônio Borges, as crianças com deficiência, em média, decoram a posição da maioria das letras no teclado em uma semana e têm muita facilidade para usar o computador.
“Em particular o que tem acontecido, é que o projeto tem tido importância fenomenal na integração da criança cega no nível da alfabetização e da pré-escola, porque são programas são muito simples e a criança é estimulada através de sons e músicas e com isso, vai descobrindo o universo da escrita”, disse Antônio Borges.
O professor de informática do Instituto Hélio Góes, Paulo Roberto, disse que todos os alunos da instituição já tiveram aulas no sistema Dosvox. Para ele, que também é cego, o computador é uma ferramenta importante para inclusão social.
“As crianças aprendem mais rápido do que os adultos e isso é bom, porque desde cedo, já estão se incluindo no mundo digital”, afirmou.
O Instituto Hélio Góes é um colégio reconhecido pelo Conselho de Educação do Ceará e os seus 236 alunos matriculados têm aulas seguindo o mesmo currículo das escolas regulares do ensino fundamental. A instituição atende crianças do Maternal à 6ª série (ou sétimo ano)e desde 1994 oferece aulas de computação, por meio do Dosvox.
O Dosvox é um sistema gratuito e está disponível na internet pelo endereço: http://intervox.nce.ufrj.br/dosvox/.
"Ele é simples, qualquer computador da linha pc tem capacidade para rodá-lo, não importando o sistema operacional", ressalta o criador do projeto.
Amanda Cieglinski Repórter da Agência Brasil
Brasília - Um aluno da educação básica custou ao Brasil R$ 2.632 anuais, sendo que o maior investimento está nas séries finais do ensino fundamental (6° ao 9° ano), com um custo de R$ 2.946 por estudante ao ano. É o que aponta estudo sobre o investimento público em educação em 2008, divulgado hoje (16) pelo Ministério da Educação (MEC).
De acordo com a série histórica divulgada pelo ministério, de 2000 para 2008 o valor investido por aluno na educação básica passou de R$ 808 para R$ 2.632 – mais do que triplicou. Apesar do aumento, ainda é pouco mais do que os valores mensais cobrados por escolas particulares.
No ensino superior, o valor investido por aluno foi de R$ 14.763 . É como se cada universitário custasse cinco vezes mais do que um estudante da educação básica. Apesar de ainda ser grande a discrepância, essa relação vem diminuindo. Em 2000, por exemplo, o investimento em um aluno do ensino superior era 11 vezes maior do que na educação básica. A meta do MEC é reduzir para quatro essa proporção, o que é recomendado pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE).
Quanto custa um aluno da escola pública ?
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Educação Básica (total) |
R$ 2.632 |
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Educação Infantil |
R$ 2.206 |
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Ensino Fundamental (anos iniciais) |
R$ 2.761 |
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Ensino Fundamental (anos finais) |
R$ 2.946 |
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Ensino Médio |
R$ 2.122 |
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Ensino Superior |
R$ 14.763 | *valores anuais referentes a 2008. Fonte: Inep/MEC.
Christina Machado Repórter da Agência Brasil
Brasília - A segunda etapa do processo seletivo do programa Universidade Para Todos (ProUni) terá uma 2ª chamada. Os que não foram incluídos na segunda etapa poderão passar à condição de candidatos pré-selecionados. A lista sai amanhã (16), de acordo com a portaria publicada no Diário Oficial da União de hoje (15).
Os candidatos inscritos na segunda etapa, que não foram pré-selecionados, devem acessar o site do ProUni, informando o número de inscrição do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e a senha cadastrada no exame, para consultar se foram pré-selecionados a uma bolsa de estudos. O prazo para confirmação da matrícula numa instituição de ensino será de 16 a 19 de março.
Mais de 16 mil bolsas sobraram após a realização da segunda etapa do programa. No total, 68,7 mil estudantes foram pré-selecionados, dos 355,2 mil inscritos nas 85,1 mil bolsas ofertadas em universidades particulares.
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