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Cobertura de banda larga chegará a 92% das escolas brasileiras em 2010

Publicado: Apr 27, 2010 por sabertv Arquivado em: Agência Brasil

Lisiane Wandscheer
Repórter da Agência Brasil

Brasília - O secretário de Educação à Distância do Ministério da Educação (MEC), Carlos Bielshowsky, disse que até o final deste ano 92% das escolas brasileiras terão acesso à internet. Ele apresentou as ações do governo brasileiro para promover o acesso à inclusão digital e a capacitação de professores na área de tecnologia durante a Conferência Internacional – O Impacto das Tecnologias da Informação e da Comunicação na Educação.

“Fizemos um acordo com as operadoras de banda larga e até o final do ano 92% das escolas brasileiras terão acesso à internet, isto significa a inclusão digital de cerca de 35 milhões estudantes”, afirma Bielshowsky.

Segundo o secretário, o trabalho desenvolvido pelo MEC busca a “alfabetização digital” de professores e alunos, além de estimular a autonomia dos estudantes na formação do conhecimento através dos laboratórios de informática e de promover novas estratégias pedagógicas com o uso de conteúdos digitais na sala de aula.

“Queremos tornar a sala de aula menos aborrecida, mais atraente. Até o momento, implantamos laboratórios em 42.688 instituições, mas é idiotice fazer isso sem capacitar o professor e é isto que estamos fazendo. Em 2009 capacitamos 332.184 professores e faremos mais este ano”, destaca.


Presidente da UNE diz que reconstrução da sede da entidade é uma “reparação à democracia”

Publicado: Apr 23, 2010 por sabertv Arquivado em: Agência Brasil
Rio de Janeiro – O presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Augusto Chagas, disse hoje (22) que a reconstrução da sede da entidade, destruída durante o regime militar, representa uma reparação à democracia brasileira. O prédio, na Praia do Flamengo, na zona sul da cidade do Rio, pegou fogo em 1964 e demolido anos depois pelo governo militar.

O terreno chegou a sair das mãos da instituição por vários anos, até que, em 2007, a Justiça devolveu-o à UNE. Um projeto do Poder Executivo, que tramita no Senado Federal, reconhece a responsabilidade do Estado brasileiro pela destruição do prédio e, por isso, prevê uma indenização de até R$ 30 milhões para sua reconstrução.

Na última terça-feira (20), a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado aprovou o projeto. Os próximos passos são a aprovação pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e a sanção do presidente da República.

“Várias gerações lutaram por isso [a reconstrução da sede]. A medida mostra respeito à instituição e ao que ela representa. Após 36 anos de espera, é uma reparação à democracia brasileira. Agora a expectativa é para que nos próximos meses esse projeto se concretize”, afirmou Chagas.

Em 2007, aniversário de 70 anos da UNE e mesmo ano em que o terreno voltou às mãos da entidade, Oscar Niemeyer entregou um projeto para a reconstrução da Casa do Poder Jovem, como está sendo chamada a futura sede. No novo prédio, de 13 andares, estão previstos um teatro e um centro de memória do Movimento Estudantil.

Johnny Heringe, da União Estadual de Estudantes (UEE) do Rio de Janeiro, acredita que a ação faz parte de um movimento de resgate da memória do povo brasileiro. Com o orçamento da nova sede previsto em R$ 30 milhões, a UNE faz uma campanha paralela de arrecadação. “Enquanto não recebemos o dinheiro da indenização, estamos angariando verba com a venda de carteirinha e de doações de estudantes”, conta o tesoureiro.

Segundo a representante da União Brasileira de Estudantes Secundaristas (Ubes) Ariana Souza, o espaço previsto para o novo prédio torna o lugar ideal para reunir membros e organizar trabalhos e pautas, além de a história da sede da Praia do Flamengo ser uma referência para os estudantes. “Estaremos de volta à nossa casa”, resume.

A Ideologia que atrapalha

Publicado: Apr 19, 2010 por sabertv Arquivado em: Professor Benjamin

A recente Conferência Nacional de Educação, encerrada no dia 1º de abril, trouxe como novidade a sugestão para criação de uma agência reguladora da educação privada no país. Essa proposta deve constar do novo Plano Nacional de Educação e mais uma vez mostra as tentativas de alguns poucos dirigentes radicais que, a exemplo do que aconteceu com as Conferências Nacionais de Comunicação e Direitos Humanos tem em comum a supressão das liberdades no país, neste caso, da educação privada.

     O objetivo anunciado seria o de aumentar o controle sobre os materiais didáticos utilizados na educação básica e sobre a qualidade dos cursos e das instituições de ensino superior. A proposta foi debatida e aprovada e, além disso foi sugerido também que o credenciamento de cursos e instituições particulares se dê por meio de concessão pública. Uma comissão de 35 representantes de entidades ligadas à sociedade civil e ao setor educacional deverá elaborar um documento, até o mês de maio, para servir de base para o MEC formular o novo PNE.

     Para entrar em vigor, essas propostas dependem da aprovação do Congresso Nacional, mas devemos lembrar que elas ferem frontalmente a Constituição do país, que garante autonomia às universidades e assegura a liberdade a estados e municípios para estruturarem suas redes escolares, sem contar que abre um campo perigoso para a  intervenção na área do ensino. Na prática, os formuladores dessa ideia querem que a educação passe a ser considerada um bem público e, a exemplo do que ocorre nas áreas de telefonia e energia, seja dada na forma de concessão.

     A ideia é absurda e só pode partir da cabeça daqueles que comungam a ideologia da intervenção. Já se manifestaram a favor da invasão de terras e contra a liberdade de imprensa; agora pretendem decapitar o setor privado de ensino que é uma alternativa de qualidade e de avanço na educação brasileira. Prova dessa afirmação são os resultados das avaliações feitas pelo próprio governo. A Conferência deveria de tratar da melhoria do ensino público, que deixa muito a desejar; aliás, o setor privado de ensino é a melhor alternativa,  porque a área governamental não tem competência para propiciar uma escola de qualidade.

     Devemos lembrar que o setor privado de ensino é sempre discriminado quando os formuladores da política educacional do país se reúnem para debater os rumos da educação. Apesar dos apelos feitos, os dirigentes do setor particular não têm voz nem vez e acabam sendo prejudicados por ideias absurdas de intervenção.

     Por outro lado, os ideólogos intervencionistas não sabem que o setor privado de ensino representa 1,5% do PIB, emprega um milhão e 200 mil pessoas e, se os governos tivessem que prescindir da escola particular, teriam que arrumar nos orçamentos anuais uma verba de 25 bilhões de reais, sem contar os impostos, mais de 40%, pagos pela iniciativa privada de ensino.

     A educação brasileira não precisa desses “defensores da democracia” que tentam esvaziar e minimizar o papel do setor privado do país. Por favor, deixem o ranço ideológico de lado e vamos pensar no futuro das nossas gerações, sem intervenções, nem revanchismos e muito menos discriminações.


Benjamin Ribeiro da Silva é presidente do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino no Estado de São Paulo                             

e-mail: benjamin@einstein24h.com.br


Àgua, um compromisso de todos

Publicado: Apr 19, 2010 por sabertv Arquivado em: Professor Benjamin

No último dia 22 de março foi comemorado o Dia Mundial da Água, um bom momento para uma reflexão a respeito da falta de comprometimento das pessoas com o meio ambiente e, principalmente, com a escassez da água. Fica cada vez mais evidente que para garantir a integridade humana é necessário cuidar do planeta. Para que as gerações presentes e futuras tenham como herança condições habitáveis, física e socialmente, temos que agir de forma imediata. Uma ação transformadora torna-se possível com novas ideias e rompimento de paradigmas. Pensando nisso e com a firme convicção de que, como educadores, temos uma missão a cumprir,  o Sieeesp – Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino no Estado de São Paulo, entidade que dirijo, promove  o Congresso Saber, em setembro, para discutir com especialistas a sustentabilidade do meio em que vivemos.

     Os números são alarmantes e a ONU divulga relatório alertando que a água poluída mata mais pessoas do que a violência no mundo. A população mundial está poluindo rios e oceanos com o despejo de milhões de toneladas de resíduos sólidos por dia, envenenando a vida marinha e espalhando doenças que matam milhões de pessoas por ano. A quantidade de água suja significa que mais pessoas morrem hoje por causa do liquido poluído e contaminado do que por todas as formas de violência, inclusive as guerras, aponta um comunicado do Programa do Meio Ambiente das Nações Unidas.

     É de estarrecer pensar que a falta de água limpa mata 1,8 milhão de crianças com menos de cinco anos de idade anualmente. Grande parte do despejo de resíduos acontece nos países em desenvolvimento,  que descartam 90% da água de esgoto sem tratamento. A diarréia, principalmente causada pela água suja, mata aproximadamente 2,2 milhões de pessoas ao ano e mais da metade dos leitos de hospital no mundo é ocupada por pessoas com doenças ligadas à água contaminada.

     Hoje, somos seis bilhões de seres humanos habitando o planeta Terra; até 2050 esse número deverá atingir nove bilhões. Conseguiremos sobreviver até lá? Dificilmente teremos êxito se não adotarmos uma forma mais inteligente de cuidar do meio ambiente e principalmente de preservar os mananciais que restam. O Brasil tem papel importante nesse contexto, pois mantém a maior reserva de água do mundo, mas precisa impor uma política séria de preservação. No final do ano passado, durante a 1ª Conferência Nacional de Saúde Ambiental, o governo brasileiro lançou o Compromisso pelo Saneamento Básico, que prevê o aumento de 80% do volume de esgotos tratados no país até 2020, e de 45% no total da população atendida pela coleta de esgoto.

     Entendo que nós, educadores, temos um papel importante a desempenhar nessa árdua tarefa de preservar o meio ambiente e principalmente a água. É um compromisso que temos com nossas futuras gerações, e através da educação e conscientização dos nossos jovens e da população em geral, poderemos levar a bom termo esse desejo, que não é só nosso, mas da imensa maioria da população mundial.

Benjamin Ribeiro da Silva é presidente do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino no Estado de São Paulo

e-mail: benjamin@einstein24h.com.br


Olimpíadas do Conhecimento ganham espaço nas escolas públicas e privadas

Publicado: Apr 19, 2010 por sabertv Arquivado em: Agência Brasil
Amanda Cieglinski
Repórter da Agência Brasil

Brasília – Nos últimos anos, as competições e desafios educacionais ganharam espaço nas escolas públicas e particulares do país. As Olimpíadas do Conhecimento vão se sucedendo e hoje já existe praticamente uma para cada disciplina. A mais popular delas, a Olimpíada de Matemática das Escolas Públicas (Obmep), recebeu 19 milhões de inscrições para a edição deste ano.

Na opinião dos educadores, as olimpíadas podem causar um efeito positivo no aprendizado, mas é preciso ter cuidado com o excesso de competitividade. “A competição tem um lado positivo, porque estimula o aluno a superar seus limites e, quando não há motivação, há diminuição do esforço. Mas é preciso ficar atento ao excesso de cobrança, que pode causar angústia e prejudicar o aprendizado”, afirma a presidente da Associação Brasileira de Psicopedagogia, Quézia Bombonato.

O professor de Márcio Lopes, do Colégio Polivalente, de Brasília, participa da Obmep desde as sua primeira edição, em 2005. Segundo ele, os efeitos da olimpíada no aprendizado são positivos. “Muitos alunos ficaram empolgados com o estilo da prova e passaram a se interessar mais pela matemática. A competição muda a rotina da sala de aula, mas despertar esse interesse”, diz Lopes.

O professor trabalha com alunos do 5° e 6° anos do ensino fundamental e está animado para a disputa deste ano. Lopes teme não ter tempo para preparar seus alunos, pois as provas deste ano foram antecipadas para o primeiro semestre. “Procuro pegar questões de anos anteriores da Obmep para estudar com eles, trabalhar a parte dos enunciados.”

Quézia Bombonato aconselha as escolas a trabalhar as diversas habilidades do aluno, participando de olimpíadas de diferentes áreas. “Os alunos vão se dando conta de suas competências se isso for bem trabalhado pela escola. Mas não dá para esperar que todos mundo seja bom em matemática, por exemplo. As diferenças individuais precisam ser respeitadas”, alerta a psicopedagoga .

Algumas olimpíadas ainda estão com inscrições abertas. São as seguintes:

Olimpíada de Língua Portuguesa – Escrevendo o futuro: Redes estaduais e municipais de ensino podem se inscrever até 14 de maio para participar da competição. Depois desse cadastro, os professores interessados fazem a adesão. Podem participar alunos do 5° ao 9° anos do ensino fundamental. Informações: www.escrevendoofuturo.org.br .

Olimpíada Brasileira de Física: Inscrições pela internet (www.sbf1.sbfisica.org.br/olimpiadas/obf2010)até 6 de agosto. O credenciamento deve ser feito pelo próprio professor. A OBF é organizada pela Sociedade Brasileira de Física e destina-se a alunos do ensino médio e do 9° ano do ensino fundamental. Os primeiros colocados poderão participar de competições internacionais.

Olimpíada Brasileira de Biologia: Podem participar estudantes dos três anos do ensino médio. As inscrições devem ser feitas pela internet (www.anbiojovem.org.br )até o dia 27 deste mês. Os quatro primeiros colocados vão compor a equipe brasileira que vai participar da Olimpíada Internacional de Biologia na Coreia.


Escolas da rede pública começam a receber laptops do programa Um Computador por Aluno

Publicado: Apr 16, 2010 por sabertv Arquivado em: Agência Brasil
Amanda Cieglinski
Repórter da Agência Brasil

Brasília - A partir de hoje (15), as 300 escolas da rede pública que vão participar do programa Um Computador por Aluno (UCA) começam a receber os laptops. No primeiro lote serão distribuídos 33.765 máquinas para 85 escolas em dez estados até 13 de maio. De acordo com o Ministério da Educação (MEC), até o final de 2010 serão entregues 150 mil computadores.

As escolas participantes do programa foram escolhidas pelas secretarias estaduais de educação e pela União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime). Cada uma delas deve definir, de acordo com seu projeto pedagógico, a forma como os computadores serão utilizados em sala de aula. Segundo o MEC, os equipamentos possuem um sistema de segurança que desativa o computador caso ele permaneça muito tempo fora da escola. O prazo de garantia das máquinas é de um ano.

Cada laptop do UCA saiu por R$ 550. O total de investimento no programa foi de R$ 82 milhões. O equipamento tem 512 megabytes de memória, tela de cristal líquido de sete polegadas, bateria com autonomia mínima de três horas e peso de 1,5 quilo.

Os 10 caminhos para falar bem!

Publicado: Apr 15, 2010 por sabertv Arquivado em: Ensino a Distância

Os 10 caminhos para falar bem

As principais orientações para quem quer melhorar o desempenho de uma apresentação em público

Osório Antonio Cândido da Silva

Ao planejar o que vai dizer, leve em consideração uma lista mental de questões a que sua fala deve responder; as lacunas que cada afirmação pode provocar à medida que enunciada; o tipo de predisposição do auditório às ideias que você defenderá (conceitos partilhados, preconceitos, visão de mundo); as condições e o contexto em que a comunicação ocorrerá.

Saber a idade do grupo, suas convicções políticas, religião, ocupação e algo mais é de vital importância. As pessoas estarão apoiando sua fala ou se posicionarão contra? Será uma plateia mista? Esteja preparado para valorizar a oposição.

A primeira real pergunta a ser respondida quando se prepara uma apresentação, portanto, é se o seu público é favorável a suas ideias. Será ele hostil? Terá ponto de vista oposto?
Explorar fatores como esse é bom ponto de partida para um orador iniciante.
Para os experientes, é um adicional valioso. A persuasão assume formas variadas e conseguir que as pessoas concordem com sua forma de pensar é uma proeza.

Com a plateia a favor
Antes de tudo, considere se sua plateia vê com bons olhos aquilo que você apresenta.
1) Se seu público concorda com seu ponto de vista, concentre-se nele, eliminando, assim, pontos de vista opostos. Vejamos um caso atual muito polêmico: se você batalha pela descriminalização da maconha e pensa que é uma boa causa porque ela poderia ser taxada ou usada em tratamentos médicos, ou não tem efeito suficientemente nocivo para merecer a ilegalidade, isso será, provavelmente, tudo o que você deve dizer.

Se a plateia for previamente favorável à ideia, estará predisposta a ficar a seu favor. O grupo tenderá a comprar não só a ideia principal como outras que façam parte do discurso. Prestará atenção a detalhes e será capaz de lembrar os pontos importantes, porque tudo confirmou suas noções anteriores.

Encare a oposição
Essa é uma boa razão para você lapidar seu discurso e personalizá-lo para uma audiência específica. Faça um esforço adicional e gaste algum tempo para realizar isso.
O ponto chave aqui é: faça sua audiência concordar com a sua apresentação e, se não o conseguir totalmente, seja capaz de vencer resistências da plateia. Numa análise final, talvez você tenha de fazer uma abordagem sob outro ângulo, mais geral. Este será o maior desafio oratório: convencer os que se opõem ao seu ponto de vista.
2) Quando uma audiência se posiciona contrariamente ao ponto de vista do orador, ele deve endereçar sua fala aos argumentos
da oposição.
Se você se preocupar só em defender seus pontos de vista, ignorando os da oposição, tenderá a ver sua audiência desligar-se de sua fala, talvez até considerá-lo um orador sem credibilidade.

Primeiro, porque não o sentirão intelectualmente honesto. Você não está considerando o momento com todas as suas devidas nuanças, os argumentos deles não foram valorizados. Basicamente, você não os levou a sério. Então, o que é preciso fazer e como?

Mecânica oratória
Você deve apresentar seu argumento, destacando seus pontos fortes. A seguir, aponte os argumentos primários dos opositores e, então, vá destruindo um por um. Lance dúvidas e o descrédito sobre eles. Desse modo, você estará dando atenção à oposição e oferecendo algo novo sobre o que pensar.

Todos verão os pontos fracos de suas posições e estarão considerando as informações novas que suportam suas ideias. Você terá plantado a semente da dúvida e atraído muita gente para o seu modo de pensar.

Você pode ser um palestrante excepcional, com voz agradável, boa linguagem corporal, gestos sob medida, ter um material de pesquisa excelente para apoiar seu discurso, um início magistral, uma finalização empolgante, bom humor e uma graça cativante. Mas se desconsiderar os pontos de valor de seus opositores, sua fala pode ser um fiasco.

Plantar a dúvida
Se o orador percebe que a oposição pode ter vários pontos fortes, deve mencionar alguns, não só para mostrar bom senso, mas plantar a dúvida e minar os fundamentos da oposição. Isso vai permitir que pareça educado, justo e equilibrado aos olhos da plateia. Assim, pode-se dizer que o ponto focal para persuadir é fazer as pessoas se sentirem felizes depois de decidirem ver ou fazer o que você sugere, depois de terem concordado com você. E mais, sem ficarem com o sentimento de que "perderam a parada".

Osório Antonio Cândido da Silva é professor especialista em Técnicas de Comunicação e Expressão Verbal há trinta anos e mestrando em Ciências da Comunicação pela Faculdade Cásper Líbero.
osorioacs@gmail.com

O que falam os especialistas

Falar bem pode ser um tormento, mas o aquecimento da economia parece ter intensificado a necessidade de interação pública. Há, hoje, mais defesas de posição em reuniões de negócio, mais decisões afetadas por discursos na mídia, além de alunos e professores se expondo - em todos os casos, a certeza de que uma má exibição não só irrita a plateia como turva o que se fala.

Por isso, diz Osório Antonio Cândido da Silva, que desde 1980 ministrou cursos a 5 mil alunos, o ensino oratório quer ser total: azeita discurso e presença, o uso de voz e corpo. Para Reinaldo Polito, outro expoente no mercado de soluções em oratória, a maioria "morre de medo" de falar em público.

- São profissionais que já conseguiram posições de destaque, mas ficam humilhados por não conseguirem construir frases inteiras - afirma Polito.

Cursos, então, acabam por acalmar o orador. Reinaldo Passadori, do Instituto Passadori de Educação Corporativa, há 20 anos lida com executivos que "vendem" ideias e são entrevistados. Eles têm de persuadir e influenciar, diz.

Os cursos se segmentaram. Há opção para políticos, mulheres, sindicalistas e jovens. Em cada módulo customizado há as mesmas ideias de desinibição e raciocínios ajustados ao ouvinte. Para construir discursos é preciso saber com quem se lida, diz Osório, convidado da edição para indicar as dez orientações destas páginas. (Colaboraram: Agência Repórter Social e Jezebel Salém).

 

1. Perder o medo

A. Conheça sua plateia - Reúna o maior volume possível de informação sobre o seu público. Vai falar a especialistas? São neófitos no tema? Influenciam decisões? Prepare-se para falar um pouco a cada um: nem acima nem abaixo da expectativa.

B. Conheça seu assunto - Faça apresentação atualizada. Não corra o risco de o público conhecer o tema mais do que você.

C. Esteja preparado - Não cometa o erro maior (aliás, amador) de não estar preparado.

D. Encare seus ouvintes - Procure o contato visual com a plateia. Ao primeiro aceno positivo que receber, sua autoconfiança aumentará. Considere que as pessoas que se dispuseram a ouvi-lo estão ali para ver o seu sucesso e aprender com você.

E. Fale com entusiasmo - Não imite ninguém. Mas fale de modo entusiasmado, com emoção.

F. O momento mágico - Ofereça ao seu público algo que o surpreenda: o encanto do inesperado.

G. Deixe uma mensagem - Encerre seu discurso com uma mensagem memorável. Procure transformar sua fala em possibilidade de ação.

 

2. O tom natural da fala

Nem a melhor das técnicas supera a sua naturalidade. Nunca imite quem quer que seja ao falar.

- Não fale rápido demais. Se sua dicção não for boa, ninguém irá entender o que você diz.
- Não fale lentamente e com longas pausas. O tédio pode prevalecer.
- Não fale alto demais. Você se cansará e irritará o ouvinte.
- Não fale baixo demais. As pessoas farão esforço para ouvi-lo e, não conseguindo, dispersarão.
- Procure não cair na monotonia da fala linear, sem ênfase, nem na veemência exagerada.
- Se for virar-se para a tela, fale um pouco mais alto enquanto estiver de costas para o auditório.
- Crie um ambiente agradável de comunicação, alternando a altura e a velocidade da fala.
- Dedique atenção à voz. Trabalhada, transmite segurança e carisma.
- Não imite o sotaque da região em que estiver se apresentando. Nem satirize o de outras regiões. Você não sabe quem estará na plateia.

 

3. Antes de entrar no assunto

- Só comece a falar quando estiver na frente de todos e sentir que a atenção da plateia está em você.
- Deixe seu nome completo bem visível.
- Desde o início, procure envolver seus ouvintes quanto à utilidade do tema.
- Mostre seus objetivos, dando visão geral do programa.
- Se o auditório for pequeno, faça perguntas e sinta a experiência que o grupo já tem do assunto.
- Se ninguém o fez ao apresentá-lo, declare sua experiência no assunto de que vai tratar.
- Prepare-se para não ultrapassar o tempo definido.
- Jamais declare que não teve tempo de preparar-se.
- Quando sua apresentação fizer parte de algum programa, não ultrapasse o seu tempo; mas, se ocorrer, não deixe de dar explicações ao grupo.

 

4. O vocabulário adequado

- Muito cuidado com a gramática. Erros atrapalham a apresentação e podem arrasar sua imagem. Dedique cuidado especial à concordância e à conjugação de verbos.
- Desenvolva um vocabulário simples, objetivo e suficiente para representar suas ideias.
- Não dependa de vocabulário pobre. Restrinja as gírias e elimine palavrões.
- Evite termos de sua profissão (ou de sua região) em locais não familiarizados com eles.
- Pronuncie bem as palavras. Não corte s e r finais, nem i intermediários.
- Evite o uso de cacoetes no meio do raciocínio, como "tá ok?", "é assim", "né", "bem", "então", "certo?", "é o seguinte".
- Evite, também, repetir certos termos ou frases ("basicamente", "quer dizer", "efetivamente").
- Não abuse das palavras estrangeiras.
- Evite as expressões "todos compreenderam?", "conseguiram entender?", "alguma dúvida?".
- Prefira algo como "acham que devo repetir?" ou "posso explicar melhor ou não é o caso?"

 

5. Controle emocional

A. Defina os termos de sua fala. Isso garante que você e seu público estão tratando da mesma coisa.

B. Nunca se diminua diante de seu auditório. Nem se traia: não diga ou dê a entender que se preparou mal, os slides estão desatualizados ou coisa do gênero. A plateia poderá deduzir que não mereceu respeito e empenho de sua parte.

C. Cuidado para não se repetir em demasia.

D. É aceitável consultar anotações em algum momento de "branco". Mas não faça disso um hábito.

E. Nunca chame a atenção para o fato de você estar nervoso.

F. Ao fim, nunca diga que se esqueceu de um tópico. Indica que você não se preparou como devido. Na hora das perguntas, inclua aí o tópico esquecido, mesmo que a relação entre eles seja só ligeira.

G. Em nenhuma hipótese deixe escapar que acha seu tema uma chatice.

H. Um lance pitoresco ou humorado aproxima as pessoas. Se surgir oportunidade, sirva-se disso.

I. Cuidado com piadas que ridicularizam alguém. Podem criar ressentimentos ou constranger.

J. Não peça desculpas por problema físico eventual (gripe, tosse, dor de cabeça).

 

6. A linguagem do corpo

- Os movimentos corporais e as expressões faciais são recursos que favorecem o entendimento.
- Não fique andando pelo palco enquanto fala, parecendo fera na jaula.
- Não fique parado no canto. Movimente-se; aproxime-se da plateia ao falar intimamente sobre um tópico.
- Procure não pôr as mãos nos bolsos, nas costas ou juntas à frente, em "folha de parreira".
- Gesticule com moderação, coerente com o que é dito em seu discurso. Excesso é prejudicial, mais que a falta.
- Segurar algo (caneta, apontador, papel) serve de "muleta", mas não mantenha as mãos cheias de coisas que não está usando no momento.
- Distribua o peso do corpo entre as pernas; apoiar-se alternadamente numa e noutra torna a postura deselegante; não abra as pernas em demasia, mas o suficiente para manter o equilíbrio.
- Não fique com os ombros caídos. Passa imagem de excesso de humildade ou negligência.
- Procure vestir-se de modo adequado ao auditório e à situação. Escolha uma cor de roupa que reduza a evidência de suor.

 

 

7. A direção do rosto

- Não olhe demais para um ouvinte ou grupo de ouvintes. Olhe o grupo, se possível nos olhos.
- Detenha-se mais no contato visual com quem ocupa cargo superior ou irá decidir um negócio.
- Não fique olhando o chão, o teto ou para fora da sala.
- Controle o tempo de sua apresentação, mas não fique olhando repetidamente para o relógio.
- Não aparente arrogância, empinando o queixo e olhando o público "por cima".
- Estabeleça coerência entre seu semblante e o que está sendo dito. Coisas alegres, fisionomia sorridente; coisas tristes, cara fechada.
- Se inevitável ler um discurso, olhe com frequência para a plateia e tenha certeza de que ela está atenta.
- Não abuse da mímica facial nos momentos de humor.

 

8. O cuidado material

- Se usar software para slides, evite o excesso de sons: desviam a atenção.
- Não resuma a ideia lotando um slide com informação. Distribua-a em vários.
- Revise os slides para eliminar erros (gramática, números, grafia, ordem).
- Não se limite a ler o que está projetado na tela.
- Evite o projetor ligado o tempo todo. Há horas em que não é preciso.
- Jamais chegue com transparências desordenadas. Sinaliza desorganização quem procura "a próxima" numa pilha. Não as mostre velhas ou manchadas.
- Se usa apontador retrátil, não fique naquele abre-fecha interminável, agitando-o. Se for apontador a laser, não movimente o ponto luminoso na tela além do necessário. Nem o dirija à plateia.
- Ao montar o slide, use o fundo que melhor contraste com letras e figuras; faça cópia com fundo branco para ser usada em salas com muita claridade.
- Não se desvie do tema que está projetado.
- Ao apontar o slide em direção à tela, não entre na frente da projeção nem dê as costas ao auditório.

 

9. O microfone

- Fale, com sua voz habitual, à distância de uns 15 centímetros entre boca e microfone.
- Não dê tapinhas no microfone. Isso irrita o ouvinte e só indica que o aparelho está ligado.
- Ao testar o microfone, diga algo como: "Bom dia, posso ser ouvido com clareza?". Alguns da plateia sempre tentam ajudar.
- Olhe o público e não o microfone, que é um instrumento auxiliar, nunca um obstáculo.
- Considere a possibilidade de o sistema de som assumir comportamento enlouquecido: chiados, guinchos, apitos, distorção da voz, enfim, tudo o que distraia a atenção da audiência. Se é o caso, continue a fala até que alguém conserte o equipamento.
- Se não for possível voltar a usar o microfone, solte mais a voz, mas não berre com a plateia.
- Sem recurso do som e sem ser ouvido pela maioria, melhor parar de falar. Brigar com equipamento ruim é desperdiçar seu tempo. E o dos ouvintes.

 

10. O encerramento

A. Não fale demais. Diga o que tem a dizer e, em seguida, pare. Antes, porém, dê ao público algo que o faça pensar e encerre sua apresentação com uma mensagem consistente.

B. A última coisa que disser deverá ser a mais lembrada. Pode ser um desafio, uma sugestão de ação ou a solução de um problema. Induza seu público a fazer algo.
C. Se o tema permitir, faça um encerramento bem-humorado: se bem feito, permitirá uma impressão positiva ao final e a sala não ganha aquele silêncio sepulcral enquanto você se senta.

D. Se o tema não é adequado ao encerramento bem-humorado, prepare uma história que mexa com a sensibilidade da plateia ou mostre algum tipo de pensamento ou provérbio que faça o auditório refletir.

E. Na hora das perguntas, nunca inicie uma resposta com: "Isso já falei...", "A resposta é óbvia...", "Imaginei que estivesse claro..." . Nem corte sua fala para atender a outra pergunta.

F. Elogie uma boa pergunta. Ao responder, não olhe só para quem perguntou.
G. Tente captar a intenção e o conteúdo do que lhe é perguntado. Fique atento a termos ou frases que serão a chave da pergunta. A ênfase em certa palavra dá o sentido da indagação.

H. Repita a pergunta para todos escutarem. Ajuda você a ter certeza de que a entendeu.

I. Nunca deixe alguém fazer um discurso a pretexto de elaborar uma pergunta dirigida a você. Se o indagador se estender, interrompa-o, gentil e firmemente, e pergunte qual é a dúvida.

J. Uma pergunta que tem várias partes deve ser dividida e cada parte respondida em separado. Terá mais clareza e melhor aceitação.

 

O tropeço no idioma

Como os profissionais da oratória lidam com erros de português dos alunos de retórica

Os profissionais da oratória dizem que o uso inadequado da variante da língua à situação e ao contexto da comunicação pode arruinar uma apresentação. Reinaldo Polito, por exemplo, acredita que não adianta ensinar gramática num curso de expressão verbal, mas ele não deixa de corrigir os erros.

- Quando o aluno erra numa apresentação em vídeo, colo um lembrete autocolante em sua ficha. Lacunas de vocabulário são culpadas pelo "ãããã..." e outros vícios - comenta.

O jargão especializado inadequado à plateia, deslizes no uso de palavras difíceis, construções que o palestrante não domina e o excesso de estrangeirismos são problemas que Polito tenta eliminar em seus alunos. Já Reinaldo Passadori admite que os alunos precisam ser alertados, pois não parecem preocupados com a correção do que falam.

- Erros nunca são recomendáveis e só são toleráveis se fizerem parte do contexto pessoal do orador. O ideal é falar de forma simples, para que as pessoas entendam.
Detalhe em voga é o planejamento. A necessidade de planejar e preparar a fala deve nortear não só o conteúdo do discurso, mas a linguagem usada.

- É preciso corporificar a mensagem por meio da gramática, do vocabulário e das metáforas - afirma Passadori. (Agência Repórter Social)


Um terço dos estudantes de 5ª a 8ª série foi agredido no ano passado

Publicado: Apr 15, 2010 por sabertv Arquivado em: Agência Brasil

Daniel Mello
Repórter da Agência Brasil

São Paulo - Quase um terço dos estudantes brasileiros entre a 5ª e 8ª séries do primeiro grau já sofreu maus tratos. Segundo pesquisa divulgada hoje (14) pela organização não governamental (ONG) Plan Brasil, 28% dos 5.168 estudantes entrevistados para a pesquisa foram agredidos em 2009.

Quando esses maus tratos são recorrentes, acontecendo mais de três vezes no mesmo ano, configuram, de acordo com a metodologia da pesquisa, em bullying. O termo designa todo o tipo de atitudes agressivas, verbais ou físicas, praticadas repetidamente por um ou mais estudantes contra outro aluno. Estiveram envolvidos em bullying 17% dos estudantes: 10% como vítimas, 10% como agressores, sendo que 3% eram tanto os que sofreram como praticaram os maus tratos.

Os mais atingidos por esses fatos são os meninos. Segundo o estudo, 12,5% dos estudantes do sexo masculino foram vítimas desse tipo de agressão, número que cai para 7,6% entre as meninas. A sala de aula é apontado como local preferencial das agressões, onde acontecem cerca de 50% dos casos relatados.

As regiões onde a prática se mostrou mais frequente foram a Sudeste, com 12,1% dos estudantes assumindo ter praticado o bullying, e Centro-Oeste, onde 14% confessaram esse tipo de atitude. O Nordeste é a região do país onde o bullying é menos comum, apenas entre 7,1% dos estudantes.

A educadora Cléo Fante diz ser importante que os pais e professores estejam atentos e saibam diferenciar o bullying de uma brincadeira entre os jovens. “O bullying não é uma simples brincadeira de criança ou apelido que às vezes constrange. Tem casos que são gravíssimos, chegam a espancamentos. A criança não pode ir na escola, porque sabe que vai apanhar.”

Essas práticas violentas acabam por causar prejuízos na aprendizagem dos agredidos, os sintomas mais citados pelos jovens ouvidos foram a perda do entusiasmo,  perda da concentração e o medo de ir à escola. Os agressores também têm problemas, segundo Cléo Fante. Muitos acabam ficando deslocados ao chegar ao ensino médio, quando o bullying é menos tolerado.

Ela exemplificou essa situação com base em um grupo de jovens agressores e agredidos que acompanha.  “Muitos [dos jovens] já desistiram da escola. Um que foi morto pela polícia, era um agressor. Ele acabou desistindo da escola, se envolvendo com drogas, se envolvendo com gangues e com tráfico.”

A educadora disse que é difícil definir quais são os fatores que geram o bullying. De acordo com Fante, tanto a família como a escola propiciam, por diversos motivos, esse tipo de prática. Ela ressaltou a própria cultura divulgada pelos meios de comunicação como uma incentivadora da agressão. “Os programas humorísticos geralmente pegam como alvo grupos de minorias. É o anãozinho, o portador de nanismo, o negro, o homossexual. Então são esses grupos que eles fazem "zoação", que eles apelidam e constrangem”, exemplificou.

As escolas não tem, de acordo com Fante, estratégias para lidar com o bullying e outras forma de violência escolar. Ela destacou, entretanto, que não existe um método definido para lidar com essas situações. “Se existisse uma receita pronta, todas as escolas utilizariam. Cada criança age de um jeito”, ponderou

A melhor maneira de agir, na opinião da especialista, é analisar os casos individualmente e tentar descobrir o motivo da agressão, além de conscientizar os envolvidos no processo do ensino “Nós temos que atuar muito mais de uma forma sistêmica, trabalhar com as crianças, com a família, com a escola e com as instituições e atores sociais”.


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