O relatório Educação para Todos, divulgado pela Organização das Nações Unidas para a Educação Ciência e Cultura (Unesco) mostra que o alto Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) que o Brasil conquistou há dois anos não chegou à educação. A baixa qualidade do ensino público nas escolas deixa as crianças para trás e é diretamente responsável por colocar o país na 88ª posição no Índice de Desenvolvimento Educacional, ficando em situação pior do que o Paraguai, Equador e Bolívia.
Analisando o resultado do relatório, nota-se que são bons os números de atendimento universal, analfabetismo e igualdade de acesso à escola entre meninos e meninas. Mas, quando se analisa o índice que calcula quantas crianças que entram na 1ª série do ensino fundamental concluem a 5ª série, o país cai e fica em posição inferior a muitos outros economicamente mais pobres e com IDH de desenvolvimento bem menor do que o nosso.
Segundo Nicole Bella, analista de políticas da Unesco em Paris e uma das responsáveis pelo relatório, o Brasil perdeu pontos porque a matrícula caiu de 95,6% em 2005 para 93,5% em 2007 e a taxa de sobrevivência na 5ª série de 80,5% para 75,6% no mesmo período.
Como se vê pelos números, são vários os fatores que levaram o Brasil a essa situação, como por exemplo a reprovação e a retenção escolar, assim como, e principalmente, a qualidade da educação que tem atrapalhado o progresso do país. Ainda com base no relatório da Unesco, são três os fatores que influenciam o resultado das crianças e a permanência na escola: a necessidade de identificar nos primeiros anos de escolaridade o quanto a criança está aprendendo e tomar medidas para sanar as dificuldades; ter escolas com um mínimo de infraestrutura física e um bom ambiente escolar e, finalmente, um número consistente de horas em sala de aula, garantindo que pelo menos 80% delas seja de aprendizagem efetiva, mas, infelizmente, em nenhum dos fatores o Brasil serve de exemplo.
Outro fator que influencia os péssimos resultados é o fato de na rede pública, a média de horas de aula por dia é de 4,5 no ensino fundamental e 4,3 no ensino médio, quando seriam necessárias pelo menos seis horas. Além disso, aproximadamente 18 mil escolas não têm energia elétrica e apenas 37% possuem biblioteca.
Como já tive a oportunidade de afirmar, uma das minhas preocupações é o estimulo ao ensino básico, pois é nessa idade que acontece o desenvolvimento da criança. E é exatamente nesse setor que faltam investimentos públicos, porque cada centavo investido nesse período retorna, com certeza, para a sociedade, que se beneficia com a formação de melhores cidadãos, bem como na diminuição da dependência da ajuda estatal e na redução dos índices de criminalidade. Foi exatamente pensando nisso que, como dirigente da entidade que congrega as escolas particulares, juntamente com a Federação e demais sindicatos da categoria apresentamos às autoridades o ProBásico, um programa que consiste em incluir os alunos em educação de qualidade com um custo muito menor do que a educação pública.
A escola particular tem disposição e muito a oferecer para obtermos melhores resultados nos índices educacionais como esse relatório levantado pela Unesco.
Benjamin Ribeiro da Silva é presidente do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino no Estado de São Paulo - e-mail: benjamin@einstein24h.com.br