A Conferência Nacional de Educação, encontro promovido pelo Ministério da Educação e Cultura, acontece em Brasília no mês de março do próximo ano e pretende discutir a construção do sistema nacional articulado de educação. Além de avaliar e apontar os caminhos, o evento tem como objetivo apresentar diretrizes para o novo Plano Nacional de Educação. Os responsáveis pela organização afirmam que um dos desafios é mobilizar estudantes, pais, profissionais da educação, agentes públicos e sociedade civil para ocupar os espaços de debate.
Mas, na verdade, a escola particular que tem muito a oferecer para a construção do novo plano, jamais foi convidada para participar do debate, que fica restrito ao poder público. Nós, como representantes do setor privado de ensino, somos meros assistentes, sem vez, nem voz, nessas discussões. Mesmo sendo discriminados pelos formuladores da política educacional brasileira, resolvemos prestar nossa colaboração.
Por meio da Federação Nacional das Escolas Particulares e seus sindicatos filiados, formamos uma comissão de educadores e formulamos um documento de 11 páginas com as proposições do setor privado de ensino, para que sejam contempladas na construção do referido plano. O intuito de agregar nossas reflexões remete à necessidade de oferecer nossa contribuição como agentes de transformação da sociedade de maneira digna, eficaz e permanente.
Já que, como das vezes anteriores, não conseguimos entrar no mundo fechado que se transformou essa Conferência, resolvemos enviar o documento com as sugestões da escola particular para os governos municipais paulistas para que sirva como sugestão e contribuição para o evento de 2010. Esperamos agregar, de forma indireta, a experiência da escola particular nesse planejamento tão importante.
Por ocasião da Conferência realizada em 2008, nós, gestores da educação privada, irritados com a desconsideração dos responsáveis pelo conclave, publicamos uma moção de repúdio, afirmando que sempre acreditamos que podemos contribuir de maneira significativa para a melhoria da educação pública brasileira, porém precisamos ser respeitados pelo trabalho que fazemos. A discriminação e o preconceito são crimes previstos em lei, e muito exigidos pelos movimentos sociais. Porém, na Conferência do ano passado o que se assistiu foi um constrangedor espetáculo de discriminação e preconceito contra a escola particular.
Somos sempre convidados para a solenidade de abertura, mas nunca pudemos nos manifestar, expor a nossa opinião e transmitir a experiência de longos anos para a melhoria da qualidade do ensino público brasileiro. Entendemos que não existe educação pública ou particular, existe apenas a educação brasileira, a qual deve agregar a todos que se interessam e querem contribuir para o seu engrandecimento. Infelizmente, não é isso que acontece com os formuladores da nossa política educacional. Está na hora de rever essa posição e colocar ao lado do ensino brasileiro aqueles que realmente querem colaborar.
Benjamin Ribeiro da Silva
Presidente do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino no Estado de São Paulo
e-mail: benjamin@einstein24h.com.br